ENGANAR O DESTINO
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Nem sempre o caminho
é voltar para trás
há esquinas em que apetece
enganar o destino
e seguir numa paralela
há poemas assim como crianças
escondidas debaixo da cama
para não serem vistas
eu tenho uma cama de pregos
por cima das palavras
em que me escondo.
('Improviso quase poético em forma de brinquedo', poema de Ademar Santos)
('Entre Lineas' pintura acrílica sobre tela de Diego Quintavalle)

4 comentários:
Oi, Helena, assim que via a palavra esquina lembrei-me desta que é uma das mais belas canções da MPB, Clube da Esquina n.2, aqui numa versão instrumental, o Milton fazendo solo.
http://www.youtube.com/watch?v=7Xfzv3zoEno
Primeiro veio a melodia e depois é que eles fizeram a letra. Esta é uma das versões cantadas mais belas, na voz do Lô Borges:
http://www.youtube.com/watch?v=NUFUBaHGOBQ
e lá se vai mais um dia
e basta contar compasso
e basta contar consigo
que a chama não tem pavio
de tudo se faz canção
e o coração
na curva de um rio, rio...
Ah, sim, que poema este que você postou, as esquinas e suas decisões.
Um forte abraço.
Oá Mariana. Não conhecia esta música, não. Confesso que também nunca tinha ouvido Lô Borges.
Gostei muito!
Vou postá-la a seguir.
Obrigada!
Quanto a este poema, ele é do professor Ademar Santos, um dos construtores do projeto educativo da Escola da Ponte, uma escola situada na Vila das Aves, numa região socialmente complicada no norte de Portugal. Este projeto teve muito eco em algumas zonas do Brasil. Métodos de avaliação da 'escola moderna', cooperação em vez de competição, respeito pelo ritmo de aprendizagem dos alunos, etc. Muito interessante.
O Ademar morreu, vai fazer dois anos. Há muito tempo que escrevia e publicava no seu blog um poema, a que sempre chamava 'improviso'.
Eu gostava muito do poeta e da pessoa. Fiquei muito triste coma morte dele, repentina, mas que ele previu, deixando o seguinte, no último post que escreveu:
"Informação...
Alguns amigos, estranhando o silêncio, perguntam-me se morri. Não tenho passado bem, mas não morrri. Espero ressuscitar...
A todos, agradeço a preocupação...
Oi, Helena, esta é uma singela canção de luta, de força... Os sonhos não envelhecem... O que converge com a sua narrativa sobre o poeta Ademar Santos e a coragem de lutar, coragem maior ainda se essa luta se faz no campo da educação. Obrigada!
Acima deveria ter escrito: "Há muito tempo que escrevia e publicava no seu blog um poema por dia, a que sempre chamava 'improviso'.
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