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(SEM QUE NISSO INTERVENHA A DISTÂNCIA NO TEMPO, HÁ RECORDAÇÕES FÁCEIS E RECORDAÇÕES DIFÍCEIS... )

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

CONSOANTES SEM VOZ...

 UNI-VOS!
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Já o disse vezes sem conta, mas repito-o: o acordo ortográfico, a mim, nem me causa quaisquer engulhos, nem já me faz mover em sua defesa. Afinal é apenas, e tão só, o estabelecimento de uma norma ortográfica, para uma língua que está em mutação todos os dias, pois que de uma língua viva se trata. Há bastante tempo que deixei de responder a 'provocações' de amigos e a argumentos mais ou menos (des)honestos. No entanto, Vasco Graça Moura trouxe a discussão de volta e, se me diverte pouco ver amigos a reabilitarem-no, como se de repente tivesse deixado de existir nele todo o militante rea(c)cionarismo que tão bem lhe conheciam, já me divertem algumas coisas que foram escritas a propósito da sua atitude desafiadora. E foi assim, divertidíssima, que li a crónica de hoje de Rui Tavares 'A voz das consoantes sem voz'.
Rui Tavares divertiu-se e divertiu-me,  referindo  variadíssimas palavras em que consoantes mudas há muito deixaram de se escrever, num "extremínio secular que lhes moveram os medonhos modernizadores da escripta": auctor, escripta, escriptor, traductor, sancto, accordo, peccador, summa, suppliciar, supplementar...
A crónica ainda não está disponível online para leitura integral e apenas consegui dela a imagem acima. Fica aqui transcrito, no entanto, o seu  último parágrafo:
"Está assim lançado um movimento que fará os gregos corar de vergonha e os alemães tremerem das pernas. Vamos dar voz às consoantes sem voz! E depois, quem sabe, aos portugueses sem voz, sem trabalho e sem futuro"
Pois!

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(Ilustração: 'D. Quijote' de Raúl Arias)


NOTA: O texto já se encontra online, AQUI.

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