NUNCA SOMOS QUEM JULGAMOS SER
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Não sei de onde vem a expressão, mas li-a num artigo do 'El País', mais concretamente num dos textos que foram publicados na revista que acompanhava o jornal no passado dia 31. Dizia o articulista, Ray Loriga, o seguinte:
"Empiezo el año con las más recientes entradas de mi diario chino. Un diario chino, como bien saben, se define por lo que no ofrece, es decir, por su inconsistencia. En él apunto rigurosamente todo aquello que por carecer precisamente de rigor no puede ni debe ser anotado en ninguna otra parte y de ninguna otra manera."
E aí encontrei-me em casa. É tudo o que faço diariamente neste blog, onde, sem preocupações de coerência nem de rigor, vou apontando o que sinto e penso. Logo, e por isso mesmo, deveria ser o blog um espelho meu, aberto à decifração própria e alheia.
Talvez seja. No entanto, não será um espelho aquilo que reflete a nossa imagem mais verdadeira, dado que, frente a ele, sempre a compomos. Nem quem pensa conhecer-nos a reflete. Nem quem nos ama. E muito menos quem nos odeia...
Talvez seja. No entanto, não será um espelho aquilo que reflete a nossa imagem mais verdadeira, dado que, frente a ele, sempre a compomos. Nem quem pensa conhecer-nos a reflete. Nem quem nos ama. E muito menos quem nos odeia...
Parece que, para verdadeiramente sermos decifrad@s, necessário será sermos olhad@s por quem não nos conhece de todo e, cumulativamente, não tenha razões para nos olhar com 'pré-conceitos'.
Por isso, uma amiga de Ray Loriga, Sophie Calle, por ele referida no seu artigo, contratou um detetive para a seguir durante uns tempos e, com o material por ele reunido, montou uma exposição sob o nome 'Detective', na qual aprendeu com todo o rigor e provas documentais, aquilo que displicentemente dizemos, mas em que nunca verdadeiramente acreditamos: nós nunca somos quem julgamos ser!
