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(SEM QUE NISSO INTERVENHA A DISTÂNCIA NO TEMPO, HÁ RECORDAÇÕES FÁCEIS E RECORDAÇÕES DIFÍCEIS... )

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

ÀS VEZES MASTIGA-SE O MEDO...

QUE APENAS POR EXISTIR SE GANHA E NOS PERTENCE
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O Medo
Que não se confunde. Por existir se ganha
e nos pertence. Sílabas ou linguagem,
busca o centro nas mãos, nos olhos, o contacto
incessante. Percorre os muros da memória,

na penumbra da palavra se instala. Nada
partilha. Como um monólogo se mascara
de gemas, rumores e gotas de ervas. Flui
e estilhaça as pálpebras, domina as casas,

abala os sismos. Ara o corpo, viva árvore
em ascensão, ronda a pele e os jorros do ar.
Até que nos toma e molda o ventre, descobre

o preço diário da invisivel folhagem
solar. É o que se oculta. Livor, sílaba,
margem eterna da inicial prudência.
(Poema de Orlando Neves, in 'Decomposição - o Corpo')