quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

SAUDANDO O OUTONO...

EM ANGOULÊME
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Angoulême, que certamente não será só banda desenhada, embora tenha sido a banda desenhada que cá nos trouxe, mais ou menos a meio de uma viagem, de que mais tarde farei o respetivo registo. Para memória futura, pois que devem manter-se guardadas as coisas boas da vida e viajar é, seguramente, uma delas.

domingo, 18 de Setembro de 2011

O QUE VOU AGORA CONTAR...

É AQUILO QUE OUVIMOS
E CHAMAMOS SILÊNCIO
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Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio. 
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(Poema de Clarice Lispector).
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('El silencio de los Sueños', óleo sobre tela de Mónica Renedo) 
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(FIM DOS POSTS PRÉ-PROGRAMADOS)
(Último ficheiro que tinha guardado no blogger como rascunho. Casa arrumada)

sábado, 17 de Setembro de 2011

SURREALIZANDO POR AÍ ...

 (apesar de a esta corrente artística se chamar  HIPER-REALISMO)
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(Pinturas  de Alex Alemany)
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

AS MÃOS NO CHÃO...

DO POEMA?
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No meu poema ficaste
de pernas para
o ar
(mas também eu
já estive tantas vezes)

Por entre versos vejo-te as mãos
no chão
do meu poema
e os pés tocando o título
(a haver quando eu
quiser)

Enquanto o meu desejo assim serás:
incómodo estatuto:
preciso de escrever-te
do avesso
para te amar em excesso
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(Poema de Ana Luísa Amaral, in '366 poemas que falam de amor')
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(Escultura de pequeno formato em arame, por Juanjo Frechilla - série 'aNiMaLaRIO/2007')

quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

BLOW ILL WIND, BLOW AWAY...

LET ME REST TODAY
(Ella Fitzgerald e Billie Holiday)

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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

quarta-feira, 14 de Setembro de 2011

SONHOS ORIENTAIS...

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Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...

O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E enquanto eu, na varanda de marfim,
Me encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar."


('Sonho Oriental', de Antero de Quental, in Sonetos)
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('Balconada', óleo sobre tela de Mihuel Gil Garcia)
(POST PRÉ-PROGRAMADO)

terça-feira, 13 de Setembro de 2011

'JITTERBUG'...

UM ESTRANHO NOME PARA UMA COMPLEXA DANÇA:
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

AS CERTEZAS DO MEU MAIS BRILHANTE AMOR...

VOU ACENDER QUE AMANHÃ NÃO HÁ LUAR
EU COLHEREI DO PIRILAMPO UM SÓ FULGOR
QUE ME PERDOE O BOM BICHINHO DE O ROUBAR
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Assobiando as melodias mais bonitas
e das cidades descrevendo o que já vi
homens e faces e os seus gestos como escritas
do bem do mal a paz a calma e o frenesi
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Se estou sozinho é num beco que me encontro
vou porta a porta perguntando a quem me viu
se ali morei se eu era o mesmo e em que ponto
o meu desejo fez as malas e fugiu
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Assobiando a melodia mais bonita
a da certeza do meu mais brilhante amor
a sensação de entre as demais a favorita
que é ver a rosa com o tempo a ganhar cor
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Assobiando as melodias mais brilhantes
como o brilhante da certeza de um amor
como o rubi mais precioso entre os restantes
que é o da meiguice alternando com o amor
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Não negarei ficar assim nesta beleza
assobiando as melodias mais fugazes
não é possível nem é simples com certeza
mas é a vontade que me dá do que me fazes
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Esta belíssima poesia do Sérgio Godinho, autor também da respetiva música, faz parte do álbum 'Coincidências', mas não existe qualquer reprodução dela na net, ou eu não a encontrei. Fica a poesia, de que gosto muito.
 
(POST PRÉ-PROGRAMADO)


domingo, 11 de Setembro de 2011

11 DE SEMBRO...

À MEMÓRIA DE VICTOR JARA!
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Já que, e apesar da antecedência de mais de uma semana, com que estou a programar este post, é para mim uma certeza que o outro 11 de Setembro vai ter toda a comunicação social, blogs e redes sociais a lembrá-lo. Chama-se a isso memória histórica seletiva e é fatal que haverá factos que se branquearão se nada fizermos em contrário. E ainda mesmo que o façamos, esse risco é real, que os meios  para  não deixar apagar a memória têm sido sempre  desiguais.
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

sábado, 10 de Setembro de 2011

PUSEMOS TANTO AZUL...

NESSA DISTÂNCIA
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Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.

Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo

(Poema de Natalia Correia)
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('Sinfonia de azules', óleo sobre tela de Maria Teresa Aroz Ibañez)
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

NUM INTERVALO...

UM 'E-POSTAL' 
(COM AÇÚCAR E AFETO)
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Hoje, aproveitando um intervalito na manhã, abri o mail e o blogger e decidi que as novas mensagens, até resolução em contrário, não terão comentários. 
Esta situação, embora transitória,  vigorará  por todo o tempo que durar a minha saída para férias por locais mais longínquos. Acontece, porém, que ao introduzir essa definição, apaguei os comentários que entretanto me tinham sido deixados por amigos perfeitamente identificados. A esses amigos peço desculpa, mas às vezes este blogger não é fácil de programar...

E ONDE É ISSO?...

 L'AUTRE BOUT DU MONDE?
On dit qu'il y fait toujours beau
C'est là que migrent les oiseaux
On dit ça
De l'autre bout du monde


(POST PRÉ-PROGRAMADO)

quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

REPITO-ME?...

NÃO FAZ MAL! 
(antes pelo contrário)
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

VIAJAR...

Viajar, diz-se,
é perder países
ou fotografar o evidente.
O mundo fica mais pequeno
e arquivamos
bilhetes postais, memórias
coloridas que depressa
se esvanecem dentro de nós
ou às vezes se magnificam.
Mostram-nos de longe
quando muito
a raiva de certas criaturas.
Gentes sem pão nem tarbalho
ou com horas de sofrimento em excesso
sabemos que há e são muitas, 
mas pouco as vemos ao viajar.
Os senhoras do mundo
com inegável elegância
deixam cair
algumas consolações caridosas
de vez em quando
sobre essa humanidade deprimida.
Há-de haver porém - os rasgamo-la nós
Uma janela qualquer, 
Toda branca ou de fogo,
Que se abra inesperadamente
Para outro futuro.
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('Viagem', poema de Urbano Tavares Rodrigues)
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

A ARTE...


('Biblioteca essencial', óleo sobre tela de José Roosevelt)
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)

HÁ QUEM PASSE O TEMPO A LUTAR CONTRA MOINHOS DE VENTO...

E A VIVER NUMA DIFUSA REALIDADE
(na quase totalidade das vezes, porém, sem a grandeza de um D. Quixote, um Sancho por companhia, ou um Rocinante que o leve)
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En esto, descubrieron treinta o cuarenta molinos de viento que hay en aquel campo; y, así­ como don Quijote los vio, dijo a su escudero:
-La ventura va guiando nuestras cosas mejor de lo que acertáramos a desear, porque ves allí­, amigo Sancho Panza, donde se descubren treinta, o pocos más, desaforados gigantes, con quien pienso hacer batalla y quitarles a todos las vidas, con cuyos despojos comenzaremos a enriquecer; que ésta es buena guerra, y es gran servicio de Dios quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra.
-¿Qué gigantes? -dijo Sancho Panza.
-Aquellos que allí­ ves -respondió su amo- de los brazos largos, que los suelen tener algunos de casi dos leguas.
-Mire vuestra merced -respondió Sancho- que aquellos que allí­ se parecen no son gigantes, sino molinos de viento, y lo que en ellos parecen brazos son las aspas, que, volteadas del viento, hacen andar la piedra del molino.
-Bien parece -respondió don Quijote- que no estás cursado en esto de las aventuras: ellos son gigantes; y si tienes miedo, quí­tate de ahí­, y ponte en oración en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla.
Y, diciendo esto, dio de espuelas a su caballo Rocinante, sin atender a las voces que su escudero Sancho le daba, advirtiéndole que, sin duda alguna, eran molinos de viento, y no gigantes, aquellos que iba a acometer. Pero él iba tan puesto en que eran gigantes, que ni oí­a las voces de su escudero Sancho ni echaba de ver, aunque estaba ya bien cerca, lo que eran; antes, iba diciendo en voces altas:
-Non fuyades, cobardes y viles criaturas, que un solo caballero es el que os acomete.
Levantóse en esto un poco de viento y las grandes aspas comenzaron a moverse, lo cual visto por don Quijote, dijo:
-Pues, aunque mováis más brazos que los del gigante Briareo, me lo habéis de pagar.
Y, en diciendo esto, y encomendándose de todo corazón a su señora Dulcinea, pidiéndole que en tal trance le socorriese, bien cubierto de su rodela, con la lanza en el ristre, arremetió a todo el galope de Rocinante y embistió con el primero molino que estaba delante; y, dándole una lanzada en el aspa, la volvió el viento con tanta furia que hizo la lanza pedazos, llevándose tras sí­ al caballo y al caballero, que fue rodando muy maltrecho por el campo. Acudió Sancho Panza a socorrerle, a todo el correr de su asno, y cuando llegó halló que no se podí­a menear: tal fue el golpe que dio con él Rocinante.
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(Texto: 'Del buen suceso que el valeroso don Quijote tuvo en la espantable y jamás imaginada aventura de los molinos de viento.' - Cervantes, claro)
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('Windmills', óleo sobre tela de Carmen Cascales Llorente)

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(POST PRÉ-PROGRAMADO) 

terça-feira, 6 de Setembro de 2011

ESCOLHENDO TODAS AS CORES...

PARA DIZER O DIA
(E UMA SÓ PARA VESTIR...)  
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(Pinturas de Carmelo Blandino)
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(POST PRÉ-PROGRAMADO)
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DOCTOR ZHIVAGO? MAURICE JARRE?! Pois, eu sei...

mas é um  dos meus 'clássicos'!
(e todos temos as nossas fraquezas e  as minhas, às vezes, saltam de dentro do armário...)



Ainda por cá...

segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

A ARRUMAR A CASA...

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Porque não sei quando volto (aliás, nunca se pode afirmar com certeza até mesmo se  se volta...) vou programar posts com  várias coisas que fui guardando como rascunhos, ou como ficheiros de texto e/ou de imagem.
Gosto de deixar a casa arrumada, quando me ausento!
Digamos que são uma espécie de bilhetes postais tirados do meu 'caderno de notas'.
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('La casa habitada por palabras', escultura de Federico Eguia)

domingo, 4 de Setembro de 2011

A FESTA...


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Três dias na Atalaia. Cheios, alegres, divertidos, chegando a casa tarde, muito tarde e saindo de casa cedo, muito cedo e que acabaram hoje, sem uma noite que ainda poderia ser longa, mas nem sempre se aguenta até ao fim...
Fica-me a sensação de sempre - um imenso bem estar  num grande e natural cansaço físico. O pó das roupas e as sandálias rebentadas contam os grandes concertos do palco 25 de Abril, mas também, ou ainda mais claramente,  os encontros amigos, de amigos de há muito ou de amigos recentes; as longas conversas entre muitos mojitos e a carvalhesa sempre em fundo; as descobertas musicais e aquele fantástico David Rovics, ou os endiabrados italianos Gattamolesta, ou a toada dos Danças Ocultas; o Avanteatro e o excelente Cabaret Keuner, por um muito bom José Carlos Faria do ARRE - Teatro da Raínha; os  livros e os discos que se trouxeram e mais uma t-shirt;  a bienal e os desenhos de Cipriano Dourado; o ambiente de solidariedade, a partilha. Momentos muitos especiais, que acontecem todos os primeiros fins de semana de Setembro, e que nos fazem adiar saídas para férias, ou antecipar  regressos.
Três dias fantásticos que tive que registar assim que reabri o computador, a que dei uns dias de absoluto descanso,  e antes de uma saída de algumas semanas, em que não atualizarei o 'Inverno em Lisboa' ou em que o farei apenas muito pontualmente.
Aqui fica a nota, devidamente ilustrada e com um enorme abraço aos amigos e amigas de sempre ou de agora.
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OPERATION IRAQI LIBERATION (O.I.L.) - David Rovics
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 Os GATTAMOLESTA.


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DANÇAS OCULTAS
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JOSÉ CARLOS FARIA em Cabaret keuner
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 A  arte de CIPRIANO DOURADO
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(Ver AQUI fotos da Festa)

sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

JÁ NA FESTA...

Cartaz deste ano:

  • Sérgio Godinho
  • Trovante
  • X-Wife
  • Xutos & Pontapés
  • Virgem Suta
  • The Underdogs
  • Tim e Companheiros de Aventura
  • The Poppers
  • The Happy Mothers
  • Terrakota
  • Susana Santos Silva Quinteto
  • Ritinha Lobo
  • Quempallou
  • Sean Riley & The Slowrider
  • Pé na Terra
  • Nuno Dias
  • Mosto
  • Mayra Andrade
  • Mário Alves
  • Maria Anadon Quinteto
  • Marco Rodrigues
  • Luísa Rocha
  • Luís Rodrigues
  • La Chiva Gantiva
  • L.U.M.E
  • Kodo Yamagishi
  • João Pedro Cabral
  • InêsThomas Almeida
  • Gattamolesta
  • Júlio Resende International Quartet
  • Expensive Soul
  • David Rovics
  • Dead Combo & Royal Orquestra das Caveiras
  • Clã
  • Coro do Tejo
  • Danças Ocultas
  • Coro da Câmara da Lisboa
  • Bela Nafa
  • Budda Power Blues
  • Ana Paula Russo
  • Amor Eletro
  • Camané
  • Che Sudaka
  • Anxo Lorenzo
  • 4uatro Sul

Horários Festa do Avante 2011

  • Sexta-feira -2 Setembro – 18h/01h30
  • Sábado -3 Setembro 10h/01h30
  • Domingo-4 Setembro 10h/22h30 

ON N'OUBLIE RIEN!...



A PINTORA DE PAPOILAS (e não só)...

SHIRLEY NOVAC
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E o que eu gosto destas flores!
(quase tanto como de finais felizes...)

OS FINAIS...

PODEM SER FELIZES!
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Os finais... são felizes, Miyazaki!

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Gosto de histórias com final feliz!
Luto enquanto conto, para que o personagem principal chegue ao destino [sonhado
Sofro com as suas derrotas, choro as suas desilusões e sinto as suas [dores.

Sim, gosto de finais felizes!
Ainda que impossíveis, mesmo que que naïfs ou até utópicos
Alegro-me a cada passo a caminho da felicidade, da realização, do sonho que nasce em cada conto que "vivo".

Procuro os contos de esperança!
Que correm como um rio que desagua no mar da possibilidade
E percorrem os caminhos mais íngremes para chegar ao horizonte do sentido de cada vida.

Pois é, as minhas histórias seguem sempre o rumo do sonho!
Acredito
Procuro
Construo
Conto
Arrisco
Escrevo
Invento
Contorno
Desenho
Sonho

Gosto de contar histórias onde vivo um final feliz
!

(Texto de Liliana)


"Le Château ambulant"

("LE FIGARO: Rien n'est stable, tout est mouvant, tout se transforme. Non, ce n'est pas une loi scientifique ou une pensée de philosophe grec mais le principe de l'art d'Hayao Miyazaki (Princesse Mononoke, Le Voyage de Chihiro) dans son nouveau film au titre évocateur, Le Château ambulant.")

O CAPTAIN! MY CAPTAIN!...

RISE UP AND HEAR THE BELLS
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Fui para os bosques porque pretendia viver livremente,
defrontar-me apenas com os factos essenciais da vida...
e ver se podia aprender o que ela tinha de verdadeiro a ensinar-me,
em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido.

(Referência a Walt Whitman e citação de Henry David Thoreau - recordados, uma vez mais, pelo filme de Peter Weir)

quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

O AMARELO DA CARRIS...

QUE FEZ  110 ANOS
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Na genialidade de Ary dos Santos, com a sua forma brilhante  e única (e aparentemente tão simples...) de encaixar expressões poéticas e crítica social nas músicas.
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O amarelo da Carris
Vai da Alfama à Mouraria, quem diria.
Vai da Baixa ao Bairro Alto,
Trepa à Graça em sobressalto,
Sem saber geografia.

O amarelo da Carris
Já teve um avô outrora, que era o chora.
Teve um pai americano,
Foi inglês por muito ano,
Só é português agora.

Entram magalas, costureiras;
Descem senhoras petulantes.
Entre a verdade, os beliscos e as peneiras,
Fica tudo como dantes.
Quero um de quinze p'rá a Pampulha.
Já é mais caro este transporte.
E qualquer dia, mudo a agulha porque a vida
Está pela hora da morte.

O amarelo da Carris
Tem misérias à sucapa que ele tapa.
Tinha bancos de palhinha,
Hoje tem cabelos brancos,
E os bancos são de napa.
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No amarelo da Carris
Já não há "pode seguir" para se ouvir.
Hoje o pó que o faz andar
É o pó do lava-lar
Com que ele se foi cobrir.

Quando um rapaz empurra um velho,
Ou se machuca uma criança,
Então a gente vê ao espelho o atropelo
E a ganância que nos cansa.
E quando a malta fica à espera,
É que percebe como é:
Passa à pendura um pendura que não paga
E não quer andar a pé.
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NOTA - Coisas da net:
A letra deste fado aparece em quase todos os resultados das buscas, com erros, pontos de interrogação e palavras não acabadas. 
Por exemplo, aparece-nos "xora???", em vez de chora, "pampuia" em vez de Pampulha e etc. Alguém a postou assim e assim tem sido reproduzida automaticamente em tudo quanto é 'síte' de letras.
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(Fotografia daqui)

MEMORANDO...

A COMPARAÇÃO TORNA A INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS MUITÍSSIMO MAIS FÁCIL E ATÉ AJUDA, EM CASO DE DÚVIDA, A IDENTIFICAR AUTORES.
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EXEGESE
(nome feminino)
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1. análise e explicação do verdadeiro sentido de um texto, aplicando as regras da hermenêutica
2. interpretação; comentário
 .
(Do grego exégesis, «interpretação»)
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SEPTEMBER SONG...

(Lotte Lenya)
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