.
(SEM QUE NISSO INTERVENHA A DISTÂNCIA NO TEMPO, HÁ RECORDAÇÕES FÁCEIS E RECORDAÇÕES DIFÍCEIS... )

Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

INTERVALO

Gosto pouco deste tempo de fraternidade com data marcada e de balanços de fim de ano. Portanto, vou tratar das festas em família, especialmente com os 'pequenotes' e logo a seguir vou de viagem. Volto em Janeiro.

('Villancico',  gravura de Ricardo Alipio Vargas Mantilla)

DOIS ANOS...

Dois anos de posts - notícias, música, poesia, pintura, textos meus e textos alheios. 
Eu, claro, reflectindo-me e ao que me rodeia, aqui, nestes dois últimos anos.

('Asi son los ojos', de Rolando Tamani)

Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

UM BOM POEMA...

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto


(Paulo Leminski)

NÃO FOI NADA, MAS PODE SER UM DIA!

.
 O primeiro tremor de terra ocorreu às 01.37:47 e atingiu a magnitude 6.0 na escala de Richter. Durou dois minutos. 
Os mesmos registos dão conta de que este sismo teve epicentro a cerca de 187 quilómetros de Faro. Segundo o Instituto de Meteorologia, o abalo deu-se em pleno Oceano Atlântico, a 31 quilómetros de profundidade, a Oeste de Gibraltar e a 100 quilómetros a Sudoeste do Cabo de S.Vicente.
...
Assusta o movimento, assusta a nossa impotência, assustam os barulhos de que a casa se enche. Mas o que assusta mesmo é imaginar que pode ser o tal...

Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

UM POST MUSICAL, OU TALVEZ NÃO...

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ACORDEI BEMOL

acordei bemol
tudo estava sustenido

sol fazia
só não fazia sentido 

(Paulo Leminski) 
('Leve brisa de musica', óleo de Leonardo Faillace)

ESTOU GELADA...

Hoje está um frio, que importámos (porquê? não temos uma balança comercial já suficientemente desequilibrada?) das montanhas de nordeste!
Como as nossas casas só estão preparadas para temperaturas entre os 20 e os 25 graus centígrados, tudo o que seja acima ou abaixo disso, deixa-nos a corar como o frango no forno, ou a gelar como pinguim no seu habitat natural.

Mas, baixem ainda mais as temperaturas, caia chuva gelada, ou mesmo neve, logo, pelas 18:30h, lá estarei, frente ao CENTRO JEAN MONNET(Delegação do Parlamento Europeu e da União Europeia) no Largo Jean Monnet, junto à Rua do Salitre.
Aqueço as mãos numa vela, mesmo que o coração continue gelado, para além da dor, como diz Rui Tavares.

«(...)O cabo Bojador é talvez o ponto mais conhecido da terra de Aminatu Haidar, a uns duzentos quilómetros para sul da cidade onde vive, a capital El Aaiún. Para os portugueses é-o certamente, por causa dos Descobrimentos e de dois versos de Fernando Pessoa: "Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor."
O Reino de Marrocos passou além do Bojador em 1976, invadindo o território do Sara Ocidental ao aproveitar uma descolonização mal-amanhada por parte de Espanha, que o administrava. Dessa vez foi fácil. Manter o país do cabo Bojador foi mais difícil; centenas de milhares de tropas e um conflito prolongadíssimo com os sarauís que teimosamente pretendem a autodeterminação. Mais difícil ainda será sair de lá. (Sim - é uma história quase igual à de Timor-Leste, que conhecemos tão bem.)

Tal como no poema de Pessoa, nunca é o Bojador físico o cabo mais importante, mas o Bojador metafórico e mental. O Bojador das nossas limitações, o mais difícil de todos. Para nós, é o Bojador da indiferença, da vontade de não ligar. Para Marrocos (tal como para a Indonésia antes da independência de Timor), o Bojador da teimosia, do medo de perder a face, do temor de aparecer fraco.
O cabo Bojador é talvez o ponto mais conhecido da terra de Aminatu Haidar, a uns duzentos quilómetros para sul da cidade onde vive, a capital El Aaiún. Para os portugueses é-o certamente, por causa dos Descobrimentos e de dois versos de Fernando Pessoa: "Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor.

O Reino de Marrocos passou além do Bojador em 1976, invadindo o território do Sara Ocidental ao aproveitar uma descolonização mal-amanhada por parte de Espanha, que o administrava. Dessa vez foi fácil. Manter o país do cabo Bojador foi mais difícil; centenas de milhares de tropas e um conflito prolongadíssimo com os sarauís que teimosamente pretendem a autodeterminação. Mais difícil ainda será sair de lá. (Sim - é uma história quase igual à de Timor-Leste, que conhecemos tão bem.)
Tal como no poema de Pessoa, nunca é o Bojador físico o cabo mais importante, mas o Bojador metafórico e mental. O Bojador das nossas limitações, o mais difícil de todos. Para nós, é o Bojador da indiferença, da vontade de não ligar. Para Marrocos (tal como para a Indonésia antes da independência de Timor), o Bojador da teimosia, do medo de perder a face, do temor de aparecer fraco.

Enquanto Aminatu passa além da dor, todos temos os nossos cabos por dobrar. »

Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

SEM ESQUECER O PRESENTE, RECORDAR O PASSADO

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SUGESTÃO


                                                                                        

Caras e caros abrilistas e amigos:
A Associação Abril, como subscritora do projecto "80 anos de Zeca"da AJA Norte, e respondendo ao lema do seu plano de actividades para o próximo biénio, "A Cultura do Desassossego", vai organizar uma actividade à volta desta incontornável personalidade que, mais do que ninguém, cultivou uma desassossegada forma de estar na vida.
A sua enorme inquietude, espírito de solidariedade e amor pela liberdade colocaram-no sempre ao lado dos desprotegidos, dos que não tinham voz e por isso utilizou a cantiga como arma para despertar consciências, denunciar injustiças, provocar a reflexão e conquistar assim pessoas para o seu ideal de um mundo mais justo e solidário.
Com este encontro queremos homenagear o enorme talento  do cantautor mas também o homem de grande  humanidade que partiu tão cedo do nosso convívio. Juntaremos amigos, companheiros de estrada e admiradores do Zeca num especial momento de convívio e partilharemos testemunhos, música, poesia e tudo o mais que a amizade e a saudade despertarem em nós.
Para tal propomos que participem num Jantar de Convívio, em jeito de tertúlia, no dia 18 DE DEZEMBRO, sexta-feira, na Colectividade ADICENSE, na Rua de S. Pedro, nº 20 (Junto ao Museu do Fado, primeira rua à esquerda, prédio com portas vermelhas, logo no inicio da rua).  
Estarão disponíveis para venda discos do Zeca e de tributo à sua memória, livros, posters e pins. Poderão constituir excelentes prendas de Natal e ajudarão a conservar a sua memória entre os jovens e aqueles que menos o conhecem. 
Já  dirigimos o convite a cantores e amigos destas andanças tendo tido a confirmação da presença de  Adelino Gomes, Camilo Mortágua, Diana Andringa, Francisco Fanhais, Janita Salomé,José Fanha, Luanda Cozetti, Manuel Freire,  Mário Tomé, Viriato Teles, Vitorino, entre outros, dos quais  esperamos confirmação. 

O preço da inscrição para o Jantar será de 18 Euros
e a hora para o encontro às 20.00 horas
(Tel. 213 421 730 / 966785119)

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

VIGILIA de SOLIDARIEDADE com AMINETU HAIDAR






Terça-Feira, dia 15 de Dezembro, às 18:30h, frente ao CENTRO JEAN MONNET
Delegação do Parlamento Europeu e da União Europeia
(Largo Jean Monnet, junto à Rua do Salitre, em Lisboa)

O grupo promotor do apelo, firmado por 42 personalidades e entregue ontem nas embaixadas de Espanha e de Marrocos, decidiu, em estreita colaboração com a AMNISTIA INTERNACIONAL - Portugal, convocar uma nova Vigília de Solidariedade com Aminetu Haidar.

A VIGILIA de SOLIDARIEDADE com AMINETU HAIDAR realiza-se na próxima para terça-feira, dia 15 de Dezembro de 2009, às 18:30h, em frente ao CENTRO JEAN MONET
 
Pedimo-vos a máxima divulgação da iniciativa. TRAZ UMA VELA E MUITOS AMIGOS!

Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

HELENAMENTE...




A CHAVE

O tempo tem-me trazido, num murmúrio persistente, notícias e sobressaltos do lado de lá de mim.
Do avesso daquele quarto, onde há muito guardei a infância, e fechei frases, olhares e gestos, que então não poderia ousar, por não saber como usar.
Mas, com um brilho ansioso nos olhos verdes, é um gesto que ele me pede, é uma palavra que  de mim espera, quando em retalhos de sonhos, insistentemente me recorda como errávamos no que dizer e fazer, numa tola, mas repetida batalha, em que medíamos forças num equilíbrio sempre incerto.
Para o reconfortar, para me serenar, seria preciso olhá-lo, darmo-nos a mão, e confessar-lhe que ainda hoje uso, com quem mais amo, a mesma falta de jeito, o mesmo equilíbrio incerto, que dele herdei.
Mas vou ter que encontrar a chave, a tal que abrirá o quarto da minha infância. 
Só tenho que mergulhar bem fundo, nas águas turvas para onde a lancei.

H.D

('Atrapando sueños', pintura de John Saavedra Guzman)

AMI - 25 ANOS


“Concerto Contra a Indiferença”
assinala 25 anos de Ajuda Humanitária da AMI
(Hoje, na Aula Magna, às 21h30)

«Hoje sei (é das poucas certezas que tenho nesta fase outonal da minha passagem terrena) que a razão de ser da minha existência é - sortudo que fui em nascer com o acesso ilimitado à cultura, ao conhecimento e aos outros povos – a de tentar dar o meu contributo para que os meus irmãos do mundo sofram menos e para que todos eles, assim como a minha mulher, meus filhos, familiares e amigos possam viver com dignidade e, se possível, contribuir um pouco para a sua felicidade.»

(Fernando Nobre em CONTRA A INDIFERENÇA)

NOVIDADES NO PROCESSO FACE OCULTA...

Vai ser chamado a depor no processo, prestando o seu testemunho técnico, o Sr. Alois Alzheimer, que certamente confirmará que cada paciente apresenta sintomas diferenciados e que, enquanto alguns esquecem onde é a sua própria casa, outros esquecem onde fica a EDP.
Este tipo de esquecimento, mais invulgar, parece acontecer especialmente com empresários e banqueiros envolvidos em processos judiciais .

"Godinho foi ter comigo por não saber onde era a EDP"

SÃO DA MINHA TERRA,

SÃO DIVERTIDOS E TOCAM MÚSICA TRADICIONAL DA BEIRA BAIXA - Os 'Velha Gaiteira'
.

Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

LIÇÕES DE VIDA

Ainda AMINETU:

«Quando Marrocos fez saber que ela só poderá regressar se pedir desculpas ao rei Mohammed VI, o seu filho mais novo, de 13 anos, disse:A minha mãe nunca vai voltar a casa porque nunca vai pedir perdão ao rei.” Não por frieza, mas pela coragem de uma combatente, Aminetu mediu todas as palavras: “podem viver sem mãe, mas não sem dignidade”. Por mim, ao ver esta mulher firme e de paz morrer na Europa que se diz da liberdade sinto uma vergonha sem fim. E um desprezo enorme pelos cobardes que nos governam. Tivessem os nossos líderes um pingo do que tem Aminetu e estariamos muito melhor servidos
(V. 'O silêncio dos cobardes', de Daniel Oliveira)

A CONJUGAR O VERBO EXCEDER?

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LIVRES NOS QUEREMOS

.
Libre te quiero
como arroyo que brinca
de peña en peña,
pero no mío.
Grande te quiero
como monte preñado
de primavera,
pero no mío
(...)
Pero no mío
ni de Dios ni de nadie
ni tuya siquiera

 
(Poema de Agustín García Calvo)

Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

MULHERES... (que estranhos seres, com tão inúteis desejos!)

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Conduzir mas sem ter um acidente,
comprar massas e desodorizantes
e cortar as unhas às minhas filhas.
Madrugar outra vez e ter cuidado
em não dizer inconveniências,
esmerar-me na prosa de umas folhas
e estou-me nas tintas para elas,
retocar de vermelho cada face.
Lembrar-me da consulta ao pediatra,
responder ao correio, estender roupa,
declarar rendimentos, ler uns livros,
fazer umas chamadas telefónicas.
Bem gostaria de me dar ao luxo
de ter o tempo todo que quisesse
para fazer só coisas esquisitas,
coisas desnecessárias, prescindíveis
e, sobretudo, inúteis e patetas.
Por exemplo, amar-te com loucura.

('A Vida Responsável', de Amalia Bautista, em Trípticos Espanhóis vol. III - trad. Joaquim Manuel Magalhães, relógio d´água)
(Fotografia daqui)

PARA QUEM COMPRA PRENDAS (de Natal ou não)

DAR TEMPO AOS OUTROS,

especialmente para se explicarem claramente, é a melhor táctica.

"E TUDO O MAIS SE RENOVA, ISTO É SEM CURA"...


Comigo me desavim,
Sou posto em todo o perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse;
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo,
Tamanho imigo
(*) de mim?

('Trovas à Maneira Antiga', de  Francisco Sá de Miranda)
('Facetas', óleo de Maria Aminta Henrich Nonone)
(*) - inimigo

Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

"NO B-DAY" EM LISBOA"

(Só para assinalar que estive lá...)

(Foto daqui)

TODOS SOMOS AMINATU. POR EL RETORNO A SU TIERRA!




José Saramago escreveu uma carta à activista saaraui Aminatu Haidar, em greve de fome no aeroporto de Lanzarote (Canárias, Espanha), pedindo-lhe que não ponha em risco a sua vida. A activista pela independência do Saara Ocidental está em greve de fome desde dia 14, quando foi expulsa de El Aaiun, capital da Saara Ocidental, pelas autoridades marroquinas e transportada para Lanzarote, disse o seu porta-voz, Muamed Salem da Frente Polisário.
«Querida Aminatu Haidar, dás um exemplo valioso em que todas as pessoas e todo o mundo se reconhece. Não ponhas em risco a tua vida porque tens pela frente muitas batalhas e para elas és necessária. Os teus amigos, e os amigos do teu povo, defender-te-emos em todos os foros que forem necessários», escreveu o escritor e prémio Nobel da Literatura.
Fernando Perayta, porta-voz da Plataforma de Apoio a Aminatu Haidar, disse à Lusa ter sido «um momento emocionante» quando a carta de Saramago, que chegou domingo de manhã, foi lida à activista.
«Agradecemos muito a José Saramago e Pilar del Rio», adiantou num contacto telefónico.
Segundo Perayta, «José Saramago uma vez mais expressa a sua solidariedade pelos mais débeis, neste caso a luta de Aminatu Haidar» e «põe o seu saber e humanidade para expressar a Aminetu Haidar o seu carinho e o seu respeito».
O escritor, que tem casa em Lanzarote, inicia a carta dizendo que se estivesse na ilha estaria com Haidar e pede «sensibilidade» ao governo espanhol para com a activista e o seu povo.
«Deixemos que Aminatu regresse a sua casa com o reconhecimento do seu valor (...) porque são pessoas como ela que dão personalidade ao nosso tempo e sem Aminatu todos, seguramente, seríamos mais pobres», apelou.
Mais de 165 mil saarauis vivem em campos de refugiados, segundo o movimento independentista Frente Polisário, que reclama, com o apoio da Argélia, a independência do Saara Ocidental, uma antiga colónia espanhola que foi anexada pelo reino de Marrocos em 1975.
Saramago considera, na carta, que, em relação ao Saara, «Marrocos (...) transgride tudo aquilo que são as normas de boa conduta«, adiantando que «quem está seguro do seu passado não necessita expropriar quem lhe está próximo para expressar uma grandeza que ninguém jamais reconhecerá».
Perayta disse que a activista está «fisicamente muito débil» e que, sendo «uma pessoa muito firme», está «decidida a deixar-se morrer nesta luta».

Haidar pretende que o Estado espanhol a devolva a Aiun. «Se o Estado espanhol a sequestrou em Espanha a obrigação do Estado espanhol é devolvê-la a Aiun», declarou o porta-voz da Plataforma.
«É uma responsabilidade muito grande para o governo espanhol, pedimos ao governo espanhol e rogamos em Portugal que sensibilizem o governo espanhol para um pouco de humanidade. Pedimos ao governo espanhol para fazer os possíveis, que imediatamente tome as medidas para que Aminatu regresse à sua casa, com a sua família», disse ainda.

Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

IDENTIDADE - UM DIREITO ELEMENTAR

.......................................INDESEABLE
 



No me deja pasar el guardia.
He traspasado el límite de edad.
Provengo de un país que ya no existe.
Mis papeles no están en orden.
Me falta un sello.
Necesito otra firma.
No hablo el idioma.
No tengo cuenta en el banco.
Reprobé el examen de admisión.
Cancelaron mi puesto en la gran fábrica.
Me desemplearon hoy y para siempre.
Carezco por completo de influencias.
Llevo aquí en este mundo largo tiempo.
Y nuestros amos dicen que ya es hora
de callarme y hundirme en la basura.






.
(Poesia de José Emilio Pacheco e  Pintura de Celso Dourado: 'Identidad Furtada')

Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

MAS DEIXO O CANTADOR POR AQUI

ANTECIPO O FIM-DE-SEMANA...

Para digerir a discussão e compreender a não votação na Assembleia da República da criminalização do
'ENRIQUECIMENTO ILÍCITO"

(Imagem daqui)

Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

ALÉM DE TER FASES, ÀS VEZES PROCURO ESTRELAS...

... e encontro-as!
- 
('Enjambre de estrellas', acrílico sobre madeira, de Jesus Flores)

UMA SUGESTÃO PARA ACORDAR A IMAGINAÇÃO...



"Se numa noite de Inverno um Contador..."
se sentasse à tua frente com uma mão cheia de contos para partilhar?!...

"Se numa noite de Inverno um Contador..."
te contasse uma história para aquecer a alma?!...

"Se numa noite de Inverno um Contador..."
te oferecesse um conto para renovar a magia de Dezembro?1...

"Se numa noite de Inverno um Contador..."
soltasse palavras embrulhadas em fantasia e te acordasse a imaginação?!...

 
Sexta-feira 11 de Dezembro às  21:00  n'O Quarto da LUA,
contos de porta aberta (entrada livre)

TAMBÉM EU TENHO FASES (TANTAS FASES...)


('Teoría sobre los cambios que provoca la luna', aguarela de Sandra Suárez Ramos)
...

Tenho fases (tantas fases...)
Em que fazendo o que faço,
Me esqueço de ser quem sou,
Me dou toda num abraço...
Tenho fases (outras fases...)
Em que me ponho a pensar,
Me esqueço de que me dou,
Fico em "molho de luar".

Tenho fases de saber
E fases de duvidar.
Sou, numas fases, mulher,
Noutras sou o que inventar...

Na maioria das vezes
A fase que me domina
É a fase dos revezes
Em que volto a ser menina.

Faço dos quartos da lua
O meu quarto-de-sonhar,
A minha sala é a rua
Em pura ascese lunar.

Tenho fases de saber
E fases de duvidar.
Sou, numas fases, mulher,
Noutras sou o que inventar...

Mas por mais que me divida
Em quartos lunares, marés,
Por mais que percorra a vida
E o mundo de lés-a-lés,
Só na lua é que descanso,
Só na lua é que me encontro...

Aspiro, neste remanso,
A deixar no mundo um ponto:
Partir sabendo quem és...

Tenho fases de saber
E fases de duvidar.
Sou, numas fases, mulher,
Noutras sou o que inventar...


('Fases da Lua II', poema de Maria João Brito de Sousa)

LUTA DE CLASSES:



MOVIMENTO DE MASSAS

Na sua definição de um movimento de massas,
marx não viu a individualidade do sujeito, nem
a sua realidade única, como se a pessoa não fosse mais
do que uma peça no conjunto que poderia viver
sem ela, substituindo-a quando fosse preciso. Mas
ao olhar os rostos que fazem parte da multidão,
encontro as diferenças que nascem de cada vida, com
aquilo que as distingue, do nascimento à morte. Dentro
do grupo, porém, essas diferenças esbatem-se: e
se a multidão é a tese, cada um desses corpos
representa uma antítese que leva consigo
o problema que a dialéctica não resolve: dramas
e alegrias que não existem para além deles,
e que ouço quando me aproximo de cada rosto,
como se a tese nascesse de uma surpresa nos olhos,
ou na inesperada confidência de um sentimento. Mas
marx não precisava de saber o que havia na cabeça
de cada um para definir o pensamento colectivo;
e a revolução rolou pelos impérios, levando atrás
dela os destinos de que nada sabemos.

(Nuno Júdice)

Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

CONVERSA DA TRETA...

COISAS SURREAIS...

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('Melodia de soledad', óleo de Hermel Orozco
.

O PIANO TEM ANDADO A BEBER

O piano tem andado a beber
E a minha gravata adormeceu
A banda regressou a Nova Iorque
O juke-box tem de ir verter águas
E a carpete bem precisava de um corte de cabelo
Os projectores parecem faróis duma prisão
Porque o telefone ficou sem cigarros
A varanda está em construção
E o piano tem andado a beber
O piano tem andado a beber

Os menus estão gelados
O tipo das luzes é cego de um olho
E do outro já não vê
O afinador de pianos tem um aparelho no ouvido
Apareceu por cá com a mãe
E o piano tem andado a beber
O piano tem andado a beber

Porque o porteiro é um lutador de Sumo
E o dono é anão de cabecinha
Com o Q.I de uma trave
Porque o piano tem andado a beber
O piano tem andado a beber
E ninguém dá com a criada
Nem com um contador de geiger
Ela odeia-te e aos amigos
E nunca mais somos servidos
E a bilheteira está a dormitar
E os bancos estão em fogo
E os jornais estavam a gozar
E os cinzeiros deram à sola
E o piano tem andado a beber
O piano tem andado a beber
O piano tem andado a beber
Eu não, eu não, eu não, eu não, eu não.
 
-
(Tom Waits em Nocturnos - Tradução de João Lisboa, Assírio & Alvim)

Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

ENTRE UM HOMEM E UMA MULHER:

HUMOR ÁCIDO

ORGANISMOS INTERNACIONAIS (QUINO)



(Clicar sobre as imagens para as aumentar)

REGRESSANDO À (TRISTE) REALIDADE...



DREAM A LITTLE DREAM OF ME!




Stars shining bright above you, night breezes seem to whisper, "I love [you".
Birds singing in the sycamore tree, "Dream a little dream of me".
Say "nighty-night" and kiss me. Just hold me tight and tell me you'll [missme.
While I'm alone and blue as can be, dream a little dream of me.

Stars fading, but I linger on, dear.
Still craving your kiss, I'm longing to linger till dawn, dear.
Just saying this: Sweet dreams till sunbeams find you.
Sweet dreams that leave all worries behind you.
But in your dreams whatever they be, dream a little dream of me.

Stars fading, but I linger on, dear.
Still craving your kiss, I'm longing to linger till dawn, dear.
Just saying this: Sweet dreams till sunbeams find you.
Sweet dreams that leave all worries behind you.
But in your dreams whatever they be, dream a little dream of me.


PERTO ESTÁ O CAMINHO



Perto está
o caminho
que longe está.

a fonte canta
véus de luar
na liquidificada planície
do teu olhar.

Hoje
talvez a tua voz
dissipe a nuvem que cobriu
o brilho das estrelas
e os pássaros voltem a cantar
no ramo de pessegueiro
que o ano novo floriu.


(Poema de Jorge Arrimar In Secretos sinais)
('Puerta de Alcazaba', pintura de Freijanez)