Hoje está um frio, que importámos (porquê? não temos uma balança comercial já suficientemente desequilibrada?) das montanhas de nordeste!
Como as nossas casas só estão preparadas para temperaturas entre os 20 e os 25 graus centígrados, tudo o que seja acima ou abaixo disso, deixa-nos a corar como o frango no forno, ou a gelar como pinguim no seu habitat natural.
Mas, baixem ainda mais as temperaturas, caia chuva gelada, ou mesmo neve, logo, pelas 18:30h, lá estarei, frente ao CENTRO JEAN MONNET(Delegação do Parlamento Europeu e da União Europeia) no Largo Jean Monnet, junto à Rua do Salitre.
Aqueço as mãos numa vela, mesmo que o coração continue gelado, para além da dor, como diz Rui Tavares.
«(...)O cabo Bojador é talvez o ponto mais conhecido da terra de Aminatu Haidar, a uns duzentos quilómetros para sul da cidade onde vive, a capital El Aaiún. Para os portugueses é-o certamente, por causa dos Descobrimentos e de dois versos de Fernando Pessoa: "Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor."
O Reino de Marrocos passou além do Bojador em 1976, invadindo o território do Sara Ocidental ao aproveitar uma descolonização mal-amanhada por parte de Espanha, que o administrava. Dessa vez foi fácil. Manter o país do cabo Bojador foi mais difícil; centenas de milhares de tropas e um conflito prolongadíssimo com os sarauís que teimosamente pretendem a autodeterminação. Mais difícil ainda será sair de lá. (Sim - é uma história quase igual à de Timor-Leste, que conhecemos tão bem.)
Tal como no poema de Pessoa, nunca é o Bojador físico o cabo mais importante, mas o Bojador metafórico e mental. O Bojador das nossas limitações, o mais difícil de todos. Para nós, é o Bojador da indiferença, da vontade de não ligar. Para Marrocos (tal como para a Indonésia antes da independência de Timor), o Bojador da teimosia, do medo de perder a face, do temor de aparecer fraco.
O cabo Bojador é talvez o ponto mais conhecido da terra de Aminatu Haidar, a uns duzentos quilómetros para sul da cidade onde vive, a capital El Aaiún. Para os portugueses é-o certamente, por causa dos Descobrimentos e de dois versos de Fernando Pessoa: "Quem quer passar além do Bojador/ Tem que passar além da dor.
O Reino de Marrocos passou além do Bojador em 1976, invadindo o território do Sara Ocidental ao aproveitar uma descolonização mal-amanhada por parte de Espanha, que o administrava. Dessa vez foi fácil. Manter o país do cabo Bojador foi mais difícil; centenas de milhares de tropas e um conflito prolongadíssimo com os sarauís que teimosamente pretendem a autodeterminação. Mais difícil ainda será sair de lá. (Sim - é uma história quase igual à de Timor-Leste, que conhecemos tão bem.)
Tal como no poema de Pessoa, nunca é o Bojador físico o cabo mais importante, mas o Bojador metafórico e mental. O Bojador das nossas limitações, o mais difícil de todos. Para nós, é o Bojador da indiferença, da vontade de não ligar. Para Marrocos (tal como para a Indonésia antes da independência de Timor), o Bojador da teimosia, do medo de perder a face, do temor de aparecer fraco.
Enquanto Aminatu passa além da dor, todos temos os nossos cabos por dobrar. »