quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

SEMPRE QUE SE MAGOA ALGUÉM

Nenhum pedido de desculpa anula o mal que foi feito. Aliás, é por isso que se pede desculpa. Se fosse possível viajar no tempo e não ter magoado alguém, para quê pedir-lhe desculpa? Reciprocamente, se a impossibilidade de anular o mal fosse razão para não se pedir desculpa, viveríamos num mundo onde nunca se pediria desculpa por ter ferido ou prejudicado uma pessoa. Quem gostaria de viver nesse mundo?
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Completamente de acordo, quer nas questões individuais, quer em política:
Hoje o governo australiano pediu desculpa aos aborígenes.

1 comentário:

  1. Citando: “Nenhum pedido de desculpa anula o mal que foi feito”.

    (Quase) completamente em desacordo.

    Este pequeno texto, fez-me relembrar o fim da amizade profunda (que julgava inabalável) que tive com duas grandes amigas. Teria sido tão fácil (pelo menos, para mim), se elas tivessem apenas feito um singelo e sincero pedido de desculpas. O problema é que nunca reconheceram que erraram. E é este o principal problema de quem magoa outro: o não reconhecer que errou.

    Por vezes, por impetuosidade, ingenuidade, espontaneidade ou até porque as nossas hormonas, neurónios e azares da vida se conjugaram astralmente duma forma perversa, podemos ser levados a dizer/fazer o que não achávamos ser capazes. Mais, o que, no nosso pacato estado de (con)viver, seria completamente impensável, nessas alturas de crise, vira fogo e tudo serve de tubo de escape. Principalmente com os que nos estão mais próximos.

    Quando voltamos ao normal estado do nosso “eu” habitual, deveríamos perceber que aquele foi um outro “eu”, momentâneo, perverso e incontrolável que nos blindou e anulou. E penitenciarmo-nos. Confessarmos. Em suma, pedir desculpa.

    E este verdadeiro e humilde pedido de desculpas, desde que sinceramente confessado, não poderia “anular o mal que foi feito”? Penso que sim. Para a “vítima”, poderá levar algum tempo a reverter em não-mal o “mal que lhe foi feito”. Tudo depende do grau de sinceridade e humildade de quem o praticou. E de alguma insistência e muita, mas muita, coerência. E, “last, but not the least”, convencerem-nos e sermos convencidos de que a amizade (aquela, única, voluntária e solidária) nunca deixou de existir.

    Anabela

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