Segunda-feira, 19 de Março de 2012

IT'S OH SO QUIET, REALLY!...

Quando helena recusa é que consente
(...) 
Ninguém é tão inconscientemente consciente
 tão inconsequentemente consequente
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Às vezes é assim, de repente. Outras vezes são processos arrastados, que se mostram claros num qualquer dia, numa hora qualquer. Não é novo em mim, já por aqui tenho várias descontinuidades arquivadas. Desapatece-me, simplesmente, manter este registo público das minhas 'cores' e respetivos cambiantes diários.
Pode durar um mês, uma semana, ou até mesmo só um dia. Nunca digo nunca, mas estou a começar a aprender a dizer sempre, já que o meu sempre é cada vez mais curto e, portanto, mais fácil de me comprometer nele. Por isso sei, helenamente falando, que este blog será para (um) sempre: voltarei, portanto.
Vou ver os dias  crescer; alisar rugas nos fins de tarde mornos, aqueles que mais me fazem sentir que a primavera é mesmo o meu tempo; olhar o mar, que se torna mais claro;  gozar o prazer da ilusão de que, como o tempo de sol aumenta,  a nossa vida, consequentemente,  se alonga.
Até logo, amanhã, ou depois!

(Citação do poema 'To helena', de Ruy Belo)
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('Estacion Primavera', quadro de Juan Antonio Segovia y Páez)

XIU!...

CHUT! SI NOUS FAISONS DU BRUIT
LE TEMPS VA RECOMENCER
(P. Claudel)

Domingo, 18 de Março de 2012

UM AMIGO É UM OUTRO EU...

Não sei quem o disse, nem isso é importante, mas a verdade é que os amigos nos estimulam e nos permitem vivências que não poderiam nunca nascer apenas de dentro de nós.
Este fim de semana foi muito especial para mim. Festejado, porque ainda em comemoração de mais do que um aniversário, consegui reunir um alargado leque de pessoas de que gosto muito e, entre familiares e amigos, senti-me muito, mas mesmo muito feliz!
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Foi bonita a festa, foi! E dela guardo, entre tantas prendas fantásticas que recebi, alguns ramos de flores (com muitos cravos vermelhos) que hoje nos alegram mais a casa!
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E o restaurante O Bispo na baía do Seixal,  é um lugar que recomendo.
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PORQUE É DOMINGO...

e PORQUE GOSTO, é claro!

Sábado, 17 de Março de 2012

OS LIVROS...

AMOROSA COMPANHIA 
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Os livros. A sua cálida
Terna, serena pele. Amorosa
Companhia. Dispostos sempre
A partilhar o sol
Das suas águas. Tão dóceis
Tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua branca e vegetal cerrada
Melancolia.
Amados
Como nenhuns outros companheiros
Da alma. Tão musicais
No fluvial e transbordante
Ardor de cada dia.
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(Eugénio de Andrade)

ÀS VEZES OS PENSAMENTOS SÃO MENINOS A BRINCAR...

 As palavras de António Borges Coelho e a música de Luís Cília
na voz de Adriano Correia de Oliveira


Sexta-feira, 16 de Março de 2012

LOS BURGUESES VENCIDOS...

 por NICOLÁS GUILLÉN 
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No me dan pena los burgueses vencidos.
Y cuando pienso que van a darme pena,
aprieto bien los dientes, y cierro bien los ojos.

Pienso en mis largos días sin zapatos ni rosas,
pienso en mis largos días sin sombrero ni nubes,
pienso en mis largos días sin camisa ni sueños,
pienso en mis largos días con mi piel prohibida,
pienso en mis largos días Y

No pase, por favor, esto es un club.
La nómina está llena.
No hay pieza en el hotel.
El señor ha salido.

Se busca una muchacha.
Fraude en las elecciones.
Gran baile para ciegos.

Cayó el premio mayor en Santa Clara.
Tómbola para huérfanos.
El caballero está en París.
La señora marquesa no recibe.
En fin Y

Que todo lo recuerdo y como todo lo recuerdo,
¿qué carajo me pide usted que haga?
Además, pregúnteles,
estoy seguro de que también
recuerdan ellos.

'MARGEM DE CERTA MANEIRA'...

A EXTREMA ESQUERDA DE INSPIRAÇÃO MAOISTA
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Em Dezembro, o investigador do CES Miguel Cardina venceu a 20.ª edição do "Prémio de História Contemporânea Dr. Victor de Sá", atribuído pelo Conselho Cultural da Universidade do Minho, com um estudo sobre a extrema-esquerda de inspiração maoísta em Portugal.

"Miguel Cardina é investigador do Centro de Estudos Sociais. É licenciado em Filosofia e Mestre em História das Ideologias e Utopias Contemporâneas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutorou-se com uma tese intitulada "Margem de Certa Maneira. O maoísmo em Portugal: 1964-1974" (Tinta-da-China, 2011), à qual foi atribuído o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea em 2011. É ainda autor de A Esquerda Radical (Coimbra: Angelus Novus, 2010) e A Tradição da Contestação. Resistência Estudantil em Coimbra no Marcelismo (Coimbra: Angelus Novus, 2008). Os seus interesses de investigação centram-se na análise das dinâmicas entre história, memória e testemunho oral e na abordagem dos radicalismos políticos durante as décadas de 1960 e 1970."

A LAS MADRES DE LA PLAZA DE MAIO...

e entre elas a NORA CENTENO
(violentamente agredida em sua casa, no último fim de semana)

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Madre, tu hijo no ha desaparecido. 
Madre, que yo lo encontré andando contigo. 
Lo veo en tus ojos, lo oígo en tu boca, 
y en cada gesto tuyo me nombra. 
Lo veo en mis luchas y me acompaña 
entre las llamas de cada nueva batalla.

HOJE SERÁ ASSIM...

(EM CRISE...) 
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Na CÍRCULO DAS LETRAS – Rua Augusto Gil, 15 B (cruzamento com Oscar Monteiro de Torres / próximo –Av Roma /João XXI) –  21h30

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

EM ABRIL ESPERANÇAS MIL...

E SEMPRE RENOVADAS!
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Manter-se-á este ano o jantar 'EM ABRIL ESPERANÇAS MIL!'
Recomeçámos, mesmo que tardiamente, as reuniões em que definiremos lugar, convidados e tarefas a distribuir.
Dele darei notícias dentro de dias.

NÃO SERÁ NECESSÁRIO O (SAKÉ)...

A COR JÁ É EMBRIAGANTE!
Está a chegar a primavera - as 'sakura' não mentem. E as cerejeiras da minha terra também não!
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(Da primeira fotografia não sei a autoria; a segunda, cerejeiras do Fundão, foi encontrada AQUI)

15 MARÇO DE 1975...


Antes de me ter posto a dormir para a cesariana, o anestesista disse-me, ao que me apreceu, repetidamente, "vai ser um lindo menino  de olhos azuis". Acertou no adjetivo, mas não no sexo, nem na cor dos olhos.
Foi há 37 anos e eu  nada sabia ainda  de anestesias epidurais, ou ecografias. Para determinar bem a sua posição, que se veio  a confirmar absolutamente  inconveniente para um parto, fiz uma radiografia, coisa impensável agora. Esta radiografia acompanhou-me até ao nascimento dela e aí espreitei, vezes sem conta, o número de ossos dos pés e mãos, a posição das pernas, dos braços, da coluna, tentando confirmar a sua perfeição.
Era perfeita e era minha!
Não será agora minha. Como diz o meu neto mais novo, "não é nada tua filha, é MINHA mãe!"  
Não será absolutamente  perfeita (?)
Mas é linda, claro!
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Quarta-feira, 14 de Março de 2012

PENSAMENTO À SOLTA...

SOBRE AS TECLAS
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Tenho tido pouco tempo para as leituras neste mundo virtual. Um livro é melhor companheiro do que um Ipad e pode (ai se pode!) proporcionar-nos o imenso prazer da leitura em qualquer ambiente. Mesmo nos muito ensolarados, em que basta a aba de um dos meus chapéus para me proteger os olhos. Mesmo naqueles que, de tão barulhentos, parecem, como diz o meu marido, não ser capazes de nos deixar ouvir os nossos próprios pensamentos, quanto mais os do autor da obra que se lê. Acontece que eu pertenço a uma geração em que o estudo não era um ato solitário. Dele fazíamos trocas de dúvidas e de conhecimentos e nele intervalávamos as conversas sobre o último filme, o último romance, o último álbum musical a que tínhamos tido acesso, com uma bica e um bolo. Tudo isto  num café barulhento e  movimentado. Habituei-me, portanto, às leituras em qualquer sítio.
O acesso ao blog tem sido feito através do telemóvel e as leituras de outros muito perfunctórias. Os posts de ontem foram preparados e agendados no fim da tarde de domingo e a manhã do dia do meu aniversário foi dedicada às respostas no Fb a amigos e outros, que por lá me deixaram mensagens mil.
Hoje reabri alguns dos blogs e sites que gosto de ler e reencontrei escritas, reflexões e partilhas de pontos de vista, que sempre me enriquecem, esquecendo a tortura que me é feita nas redes sociais, com as confusões entre "" e "à" (e às vezes até entre "ah" e ""!) as vírgulas sistematicamente a separar o pobre do sujeito do seu predicado (não por lapso, que esses são naturais) os pretéritos perfeitos dos verbos transformados em imperfeitos ortograficamente, com hífen a desterrar terminações que deveriam ficar juntinhas ("queria-mos" muito saber como escrever, mas "esquece-mos" o que nos ensinaram. Pois!). Isto para não falar das pasteladas peganhentas (meladas seria uma classificação de que gosto, por isso a não uso) atribuídas, sabe-se lá por que razão (outro problema: "por que" e "porque"...) a Shakespeare, Luís Fernando Veríssimo, Clarice Lispector, Vinícius, Fernando Pessoa, etc, etc.
Não quero dizer com isto que nos blogs não se encontrem erros que antigamente se chamavam de palmatória, mas que agora é politicamente incorreto classificar. Dói, já o disse aqui, quando esses erros saem das teclas de professores, especialmente se forem dos que ainda usaram palmatória, ou de quem passa a vida a falar da ignorância dos jovens,  ou ainda de quem clama amor à língua portuguesa, bramando contra o acordo ortográfico. Sobra-nos então uma vontade... (quase) assassina!

Hoje estou então de descanso. É que amanhã há mais! Festa.
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 .
(Quadros de Fábio Hurtado)

ENTRE DOIS DIAS FESTIVOS...

A SEDUÇÃO DO MOVIMENTO E COR
na extraordinária fotografia de MARK MAWSON 
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Terça-feira, 13 de Março de 2012

PARA ACABAR OS POSTS DO DIA...

UMA CANÇÃO BELÍSSIMA 
'LA CHANSON D'HÉLÈNE' - Uma canção triste de desencontro, para lembrar que os há. E que lá temos que aprender a trocar as voltas ao destino, negando-nos ao fado!

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Ce soir nous sommes septembre et j'ai fermé ma chambre
Le soleil n'y entrera plus
Tu ne m'aimes plus
Là-haut un oiseau passe comme une dédicace
Dans le ciel

Parlé:
Je t'aimais tant Hélène
Il faut se quitter
Les avions partiront sans nous
Je ne sais plus t'aimer Hélène

Avant dans la maison j'aimais quand nous vivions
Comme un dessin d'enfant
Tu ne m'aimes plus
Je regarde le soir tomber dans les miroirs
C'est la vie

Parlé:
C'est mieux ainsi Hélène
C'était l'amour sans amitié Il va falloir changer de mémoire
Je ne t'écrirai plus Hélène

L'histoire n'est plus à suivre et j'ai fermé le livre
Le soleil n'y entrera plus
Tu ne m'aimes plus

E, RECUPERANDO O POST DO ANO PASSADO...

Will you still need me 
will you still feed me
When I'm sixty-four?

WHAT A WONDERFUL WORLD!...

COM ESTAS E TODAS AS OUTRAS CORES!

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 Mellow is the feeling that I get 
(...)
That's the time 
That's the time 
I love the best

SIM!...

TEM VALIDO A PENA!
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Dificuldades, problemas e  angústias, todos temos. Vivemos além disso num triste país, num mundo desolador e, naturalmente, com esses factos nos confrontamos  todos os dias (pelo menos 99% de nós...).
Mas a vida é única e muito curta e a ela deveremos entregar-nos com o tal prazer 
... de abandonar os gestos falsos,
prazer de regressar,
de respirar
honestamente e sem caprichos,
como as ervas e os bichos.
Alegria voluptuosa de trincar
frutos e de cheirar rosas.

13 de MARÇO de 1951...

NÃO, NÃO FUI NOTÍCIA DE JORNAL!
(Mas dizem-me ter sido uma boa nova familiar, mesmo não sendo rapaz...) 
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Segunda-feira, 12 de Março de 2012

1951 (VIII) - "AS PALAVRAS INTERDITAS'...

de EUGÉNIO DE ANDRADE
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Este livro de poesia deu lugar a uma polémica protagonizada por Eugénio de Andrade e Mário Cesariny, que acusou Eugénio de plágio, e que este, em carta "que prima pela precisão, rigor e justificação de tudo quanto afirma, destrói ponto por ponto as acusações de Cesariny", como se lê em "O Surrealismo em Portugal" de Maria de Fátima Marinho.
Título integrado no "Cancioneiro Geral", colecção que deu a lume importantes livros de poesia portuguesa contemporânea.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória de Eugénio de Andrade para Luís da Câmara Reys, datada de 1951.
Excelente encadernação com lombada e cantos em pele, sendo aquela decorada com delicados ferros a ouro. Conserva as capas de brochura, exibindo estas alguns picos de acidez, vulgares neste livro.
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1951 (VII) - 'ENGRENAGEM'...

de SOEIRO PEREIRA GOMES
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Soeiro Pereira Gomes nasceu em Gestaçô, concelho de Baião, distrito do Porto.
Viveu em Espinho, dos 6 aos 10 anos de idade, onde recebeu a instrução primária e onde passou o Verão nos primeiros anos da sua vida.
Sendo filho de agricultores decidiu estudar na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola, e, quando finalizou os estudos, viajou para Angola onde trabalhou por mais de um ano.
Quando regressou a Portugal, foi habitar em Alhandra, onde vivia o seu sogro, como empregado administrativo na fábrica de cimentos local, onde começou a desenvolver um trabalho de dinamização cultural entre o operariado.
Mas foi o seu trabalho como escritor que o tornou conhecido, sendo considerado um nome grande do realismo socialista em Portugal.
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1951 (VI) - 'PARIS DE NOITE'...

de MARIA HELENA VIEIRA da SILVA
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MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA - Nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1908; morreu em Paris em 6 de Março de 1992. 
Filha do embaixador Marcos Vieira da Silva, ficou órfã de pai aos três anos, tendo sido educada pela mãe em casa do avô materno, director do jornal O Século.
Tendo mostrado interesse, desde muito pequena, pela pintura e pela música começou a estudar pintura, a partir de 1919, com Emília Santos Braga e Armando Lucena. Em 1924, frequenta as aulas de Anatomia Artística da Escola de Belas Artes de Lisboa.
Em 1928 vai viver para Paris, acompanhada pela mãe, indo visitar a Itália. No regresso começa a frequentar as aulas de escultura de Bourdelle, na Academia La Grande Chaumière. Mas abandona definitivamente a escultura, depois de frequentar as aulas de Despiau.
Começa então a estudar pintura com Dufresne, Waroquier e Friez, participando numa exposição no Salon de Paris. Conhece o pintor húngaro Arpad Szenes, com quem casa em 1930, e com quem visitará a Hungria e a Transilvânia.
Em 1935 António Pedro organiza a primeira exposição da pintora em Portugal, e que a faz estar cá por um breve período, até Outubro de 1936, após o qual voltará para Paris, onde participará activamente na associação «Amis du Monde», criada por vários artistas parisienses devido ao desenvolvimento da extrema direita na Europa.
Regressará em 1939, devido à guerra, já que para o seu marido, judeu húngaro, a proximidade dos nazis o preocupa, naturalmente. Ficará em Portugal por pouco tempo, pois o governo de Salazar não lhe restitui a cidadania portuguesa, mesmo tendo casado pela igreja. Não deixa de participar num concurso de montras, realizado no âmbito da Exposição do Mundo Português, que também lhe encomendou um quadro, mas cuja encomenda será retirada.
O casal de pintores decide-se a ir para o Brasil, até porque as notícias sobre uma possível invasão de Portugal pelo exército alemão não são de molde a  sossegá-los.
No Brasil serão recebidos de braços abertos, recebendo passaportes diplomáticos, que substituem os de apátridas emitidos pela Sociedade das Nações, tendo mesmo recebido uma proposta de naturalização do governo.
Residirão no Rio de Janeiro até 1947, pintando, expondo e ensinando, regressando Vieira da Silva primeiro que o marido, retido pelos seus compromissos académicos.
É a época em que Vieira da Silva começa a ser reconhecida. O estado francês compra-lhe 'La Partie d'échecs', um dos seus quadros mais famosos. Vende obras suas para vários museus, realiza tapeçarias e vitrais, trabalha em gravura, faz ilustrações para livros, cenários para peças de teatro.
Expõe em todo o mundo e ganha o Grande Prémio da Bienal de São Paulo de 1962, e no ano seguinte o Grande Prémio Nacional das Artes, em Paris,
Em 1956, foi-lhe dada a naturalidade francesa. 
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1951 (V) - 'O FOGO E AS CINZAS'...

de MANUEL da FONSECA

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O Fogo e as Cinzas, publicado em 1951, é um dos mais significativos livros de contos da moderna literatura portuguesa, onde a arte de Manuel da Fonseca atinge a perfeita maturidade, revelando-se então um escritor de tendência regionalista e de funda preocupação humana, que retrata a vida pobre dos trabalhadores rurais das planícies alentejanas, dando especial realce à sua luta contra a injustiça. Os contos são acerca de um Alentejo dos anos 40 e 50, rústico e em decomposição. Eles nos falam das gentes de uma terra maravilhosa mas pobre: esse Alentejo de há muitas décadas, que assistia aos primeiros passos de um progresso lento. As personagens são crianças, velhos, camponeses, habitantes de pequenas vilas ou cidades, alguns deles condenados à exclusão pela pobreza ou pelo esquecimento - cenas de um passado que em alguns casos se prolongaram até ao presente. O mundo que aparece na obra corresponde a um Alentejo certamente mitificado no imaginário neo-realista como lugar da revolta dos camponeses contra os latifundiários, mas transcende essa dimensão da luta de classes pela presença de uma panorâmica social mais vasta, em que avulta a personagem um tanto marginal do maltês ou o universo das pequenas vilas modorrentas, cujos habitantes se reúnem no café ou no largo principal, verdadeiro "centro do mundo" para onde convergem as histórias ora dramáticas, ora quase picarescas, que enriquecem narrativamente o conjunto.
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1951 (IV) - 'CONCERTO PARA CORDAS'...

de JOLY BRAGA SANTOS

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Joly Braga Santos, nasceu em Lisboa, a 14 de Maio de 1924. Aos 6 anos iniciou os estudos de violino e aos 10 anos de composição. Nesta última disciplina foi discípulo de Luís de Freitas Branco, com quem estudou todas as matérias teóricas, e em cuja doutrinação estética se integrou, tendo convivido constantemente com o seu mestre até à morte deste, ocorrida em Novembro de 1955.
Em 1948 foi concedida a Joly Braga Santos a primeira das três bolsas de estudo de que beneficiou para aperfeiçoamento no estrangeiro, tendo nessa altura estudado pela primeira vez direcção de orquestra em Veneza, durante a Bienale, com Herman Scherchen. Mais tarde, voltou a percorrer a Itália, a Suiça e a Alemanha, tendo concluído estudos dedirecção de orquestra novamente com Scherchen, e com Antonino Votto, em Gravesano, Siena e Milão, de composição com Virgílio Mortari, em Roma, e de Ciências Musicais, também em Roma, com Gioachino Pasqualini.

1951 (III) - 'UM LUGAR AO SOL'...

Um filme de GEORGE STEVENS
com
-----------MONTGOMERY CLIFT,
 ELIZABETH TAYLOR e 
SHELLEY WINTERS----------
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Sinopse:
A bela adaptação de George Stevens, do livro Uma Tragédia Americana, de Theodore Dreiser, ganhou seis Oscar da Academia (incluindo Melhor Diretor e Melhor Roteiro) e garantiu a imortalidade para os apaixonados Montgomery Clift e Elizabeth Taylor. Clift estrela como George Eastman, um pobre jovem decidido a obter status na respeitável sociedade e também o coração da bela socialite (Elizabeth Taylor). Shelley Winters vive a operária cujo segredo ameaça as ambições profissionais e românticas de Eastman. Consumido pelo medo e pelo desejo, Eastman é fatalmente levado a um desesperado ato de paixão, que destrói seu mundo para sempre.
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1951 (II) - 'L'ÂME DES POÈTES'...

por CHARLES TRENET

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 Longtemps, longtemps, longtemps
Après que les poètes ont disparu
Leurs chansons courent encore dans les rues
La foule les chante un peu distraite
En ignorant le nom de l'auteur
Sans savoir pour qui battait leur coeur
Parfois on change un mot, une phrase
Et quand on est à court d'idées
On fait la la la la la la
La la la la la la

Longtemps, longtemps, longtemps

Après que les poètes ont disparu
Leurs chansons courent encore dans les rues
Un jour, peut-être, bien après moi
Un jour on chantera
Cet air pour bercer un chagrin
Ou quelque heureux destin
Fera-t-il vivre un vieux mendiant
Ou dormir un enfant
Ou, quelque part au bord de l'eau
Au printemps tournera-t-il sur un phono

Longtemps, longtemps, longtemps

Après que les poètes ont disparu
Leur âme légère court encore dans les rues

Leur âme légère, c'est leurs chansons

Qui rendent gais, qui rendent tristes
Filles et garçons
Bourgeois, artistes
Ou vagabonds.

Longtemps, longtemps, longtemps

La la la...
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"Quem veio ao meu show está dispensado de ir ao meu enterro", disse Charles Trenet, pouco antes de morrer na sua última apresentação na sala Pleyel (Paris, abril de 2000).
Vítima dos preconceitos por assumir abertamente a sua homossexualidade e obrigado a provar que não era judeu na França ocupada pelos alemães, Trenet produziu uma série de hits. Um deles - Douce France - acabou por se transformar num hino da Resistência, durante a ocupação nazi.
Cantor, compositor, autor das letras de cerca de mil canções, artista plástico, poeta e escritor, revolucionou a música francesa nos anos 40 com versos inspirados e estética semelhante à dos poemas de Paul Éluard e Jacques Prévert. E, por sua vez, influenciou compositores e intérpretes que lhe sucederam, como Charles Aznavour, Jacques Brel e George Brassens.

OS POSTS DE HOJE SERÃO TODOS DEDICADOS AO ANO DE 1951...

Mas como é uma data que me é muito cara, só assinalarei coisas boas!
Não lembrarei, por isso, Salazar ou Craveiro Lopes, mas sim obras musicais, pinturas, livros publicados. 

Como este:







Autores: FERNANDO NAMORA, ANTUNES DA SILVA, ROMEU CORREIA, ALBERTO PIMENTEL, MANUEL RIBEIRO PAVIA, ROGÉRIO RIBEIRO, CIPRIANO DOURADO...

Domingo, 11 de Março de 2012

MAS QUEM DISSE QUE EU ANDO NA LUA?!...

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Nas núvens até fiquei hoje (um pouco mais) e 'desligada' ando muitas vezes.
As núvens posso eliminar um dia destes. O resto é genético, acho!
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('Disconnected', quadro do pintor surrealista Samy Charnine)

FAZ HOJE UM ANO...

A natureza também é isto:
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(Impressionantes imagens da devastação que se verificou no Japão há um ano.)